Após meu último artigo sobre o Sushi Yuzu, o proprietário da casa, Juliano Mendes, envia uma verdadeira aula sobre o tradicionalismo japonês!
O e-mail trouxe informações muito interessantes sobre o consumo do Sake no Japão e em restaurantes japoneses ao redor do mundo. Com vocês, Juliano Mendes:
Gostaria de fazer um comentário contigo a respeito da questão do tradicionalismo. Em especial, sobre o massu, a caixinha utilizada em muitos restaurantes japoneses no Brasil.
Como sabes, nós optamos por não utilizá-la. Mas gostaria de lhe explicar o porquê, pois o uso desse recipiente, apesar de ser quase padrão no Brasil, é errado. Vamos às justificativas:
1) O massu tradicional é o de madeira. O de plástico é muito feio e, no tradicionalismo japonês, nem existe. Mas o interessante é que mesmo no Japão, o massu é utilizado apenas em datas comemorativas. Não é utilizado no dia a dia dos japoneses. O Massu tem sido usado no Japão como pires. Veja nesse link para o site de uma dos maiores especialistas em Saquê do Brasil: http://www.adegadesake.com/RECIPIENTES.htm
2) O massu de madeira não pode ser lavado, pois as bactérias não são eliminadas na lavação. Ele deve ser sempre descartáel, o que torna seu uso inviável.
3) O massu de madeira transfere gosto e aroma de madeira para o Sake, o que é indesejável, principalmente quando se trata de um sake de alta qualidade.
Fizemos uma grande pesquisa antes de abrir o Yuzu. Fomos aos melhores restaurantes japoneses de São Paulo e até mesmo de Nova York. Alguns deles bem tradicionais. Em nenhum deles nos serviram sake em massu.
Optamos pela taça de vinho pois, tecnicamente falando, é o melhor recipiente que existe para uma completa degustação de uma bebida como o Sake. É possível ver a cor da bebida, sua limpidez, além de permitir uma melhor percepção dos aromas, que são responsáveis por 80% do gosto que sentimos nas bebidas.
Só pra finalizar, não discuto sobre as outras questões. Nós, propositadamente, fugimos de vários clichês japoneses, tradicionais. Mas apenas na decoração. Nossas louças são feitas pela ceramista japonesa Hideko Honma, que é uma verdadeira artista. Nossos pratos são bem tradicionais. Nosso sushiman morou 5 anos no Japão, e segue a risca a tradição.
Já o fato de não servirmos no massu, como expliquei acima, não se trata de fugir do tradicional, mas sim o de tentar servir da maneira correta e mais prazerosa para os nosso clientes. Muitos clientes estranham, por desconhecimento, já que no Brasil muitas tradições são distorcidas e as pessoas pensam que o “errado” é o correto, como nesse caso. Mas aos poucos vamos explicando e as pessoas vão entendendo.
Continuem com o ótimo trabalho de divulgar e avaliar as opções gastronômicas da nossa região. Precisamos elevar a cultura gastronômica dos nossos conterrâneos, e vocês tem ajudado muito nesse processo longo e difícil.
Um abraço a você e ao Odjou.
Juliano
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powwww.
o Juliano é um cavalheiro mesmo.
Valeuuuuu
Bem legal!
Mas eu não tomo sake.. heheh
acho engraçado como o blumenauense acredita em tudo que falam,só poque ele diz que foi a nova york,sao paulo, todos acreditam,é claro que ele vai fazer todo mundo se convenser que o restaurante dele é o mais certo,é o melhor,nao existe outro além deles, os outros estao totalmente fora da tradiçao japonesa…..se ele optou por nao ter tradiçao japonesa,tudo bem,cada um,cada um,mas nao venha dizer que somente o dele é o melhor agora. Temos muitos outros aqui em Blumenau que estao muito acima do sushiyuzu.
abraço galera…
Não acho que o masu seja o ideal para se servir essa bebida nos restaurantes, mesmo. De acordo com a minha ex-namorada, que morou mais de uma década no Japão, o mais comum atualmente é serví-lo no ochoko, um pequeno copo redondo geralmente feito de cerâmica.
Pra mim parece ser o mais adequado para se usar em restaurantes, pois não foge do tradicional e nem altera o gosto da bebida por usar um material inadequado para o consumo público.
Concordo, por agradar aos dois lados.
Até hoje só bebi no ochoko (não conhecia este nome) o sake quente, nunca o frio. Mas seria uma boa pedida.
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